Estratégias para socorrismo no DH

Publicado dia às 12:00 no canal Artigos, Informações gerais por Dr. William Almeida

Nesses anos como socorrista nas provas de DH aprendemos muito com os erros, pois ninguém nos orientou e fomos obrigados a buscar conhecimento fora, nos vídeos gringos, colegas do MotoCross. Até mesmo as informações que tive acesso quando trabalhei na Formula 1. Todo o conhecimento e experiência adequados à prática do Downhill, afinal somos a Formula 1 das bikes.

Gomeral/SP 2009 1ª Etapa do Paulista. (À direita a equipe de Bombeiros Civis e à esquerda a galera da Defesa Civil fazendo a função de fiscais)

Gomeral/SP 2009 1ª Etapa do Paulista. (À direita a equipe de Bombeiros Civis e à esquerda a galera da Defesa Civil fazendo a função de fiscais) | Foto: Ximiti

A seguir você irá ver uma planilha das pistas de São Paulo, onde já foram prestados nossos serviços de socorrismo e que nos mostra a necessidade do aparato de socorro para uma prova. Ela nos mostra, fundamentada nas estatísticas de acidentes, o que seria o ideal para que um evento de DH ocorrer e atender de forma adequada os níveis de segurança e socorro.

Pista Nº Socorrista Nº Fiscal Nº ambulância Nível da Pista
Saracura/SP 6 10 2 Alto
Guaripocaba/SP 6 10 2 Alto
Gomeral/SP 10 14 3 Alto
Ouro Preto/MG 8 10 2 Alto
Gov.Valadares/MG 4 6 2 Médio/Alto
Itaguara/MG 4 6 2 Médio/Alto
Macacos/MG 4 6 2 Médio
Poços Caldas/MG 6 8 2 Médio/Alto
Morro Pelado/SP 4 10 2 Alto
Águas Lindóia/SP 2 6 2 Médio
Sabesp/SP 4 8 2 Médio
Salto/SP 4 8 2 Médio
Piracaia/SP 4 8 2 Médio
Louveira/SP 4 8 2 Médio
Vinhedo/SP 6 10 2 Médio/Alto
Urubu/SP Mairipa 4 8 2 Médio
São Roque/SP 6 10 2 Médio/Alto
Serra Negra/SP 4 8 2 Médio
Pedra Bela/SP 4 6 2 Médio/Alto

Isso já acontece na maioria dos eventos, porém, o que ainda é preciso que haja um esforço maior são as questões relacionadas aos os fiscais que precisam estar uniformizados, bem orientados, bem posicionados em locais estratégicos e com rádios de comunicação.

Outra dica simples que pode ser seguida é utilizar carro comum para fazer um socorro nos casos menos graves e não utilizar desnecessariamente a ambulância, quando existir apenas uma.

Sempre aprendemos com os erros e aprimoramos com esses as nossas estratégias de socorrismo. É de entristecer quando, apesar dos equipamentos existentes e do conhecimento existente, ainda acontecem esses erros recentemente com outros organizadores ou colaboradores.

Segundo nossa estatística podemos já concluir algumas informações importantes e curiosas que nos surpreendem:

  1. Os pilotos caem mais no sábado à tarde;
  2. Em todas as provas um ou dois pilotos quebraram algum osso;
  3. Nessas 09 provas os ossos mais quebrados foram:
    • 1º lugar: Clavícula com 05 vítimas;
    • 2° lugar: Pulso com 04 vítimas;
    • 3º lugar: Costela com 03 vítimas;
    • 4º lugar: Perna com 02 vítimas;
    • 5º lugar: Dedo com 02 vítimas;
    • 6º lugar: Cotovelo/Tornozelo com 01 vítima cada.

Em todas as provas um ou dois pilotos levaram pontos. Quase todos os pilotos que caíram sofreram algum tipo de escoriação média ou leve que necessitasse de limpeza e curativo oclusivo no local mesmo. Pelo menos 30% dos pilotos que caem sofrem escoriações nos ante braços, costas, cotovelos, pernas e coxas, necessitando de grandes curativos.

Pista Evento Nº aprox. pilotos Atendimentos sáb e domingo Graves/fraturas Pronto Socorro
Saracura/SP Bike Evolution 145 18 – 13 7
Saracura/SP Mega Energy 150 32 – 28 9
Saracura/SP Copa São Paulo 125 20 – 17 4
Gomeral/SP Campeonato Paulista 160 26 – 18 3
Louveira/SP Campeonato Paulista 130 12- 08 2
Pedra Bela/SP Copa SP 130 09 – 07 3
Águas Lindóia Copa SP 120 04- 08 2
Serra Negra/SP Serra Negra 110 14- 10 3
Sabesp/SP Circuito Cantareira 130 12 – 14 5
Tabela de Atendimentos em Eventos de DH

Os erros mais comuns que acontecem nos eventos são:

  1. Número insuficiente de socorrista;
  2. Número insuficiente de fiscal, o que é mais grave;
  3. Número insuficiente de ambulância;
  4. Posicionamento incorreto da equipe na pista;
  5. Falta de orientação da equipe;
  6. Falta de protocolo nas mais diversas situações;
  7. Falta de Congresso Técnico e orientação aos pilotos;
  8. Falta de uniforme ou coletes identificando quem é quem;
  9. Falta de sinalização e bampeamento da pista;
  10. Falta de colaboração dos pilotos, que com freqüência transitam a pé na pista;
  11. Falta de uma pessoa apenas para coordenação e não vários dando ordens;
  12. Falta de uma barraca Enfermaria para realizar curativos;
  13. Falta de rádios de comunicação para a equipe.

Mas nem tudo é só desgraça… Dá-nos orgulho citar duas provas que aconteceu de tudo, mas estávamos bem preparados e praticamente não faltou nada, os protocolos foram seguidos, as estratégias para cada pista foi eficaz:

  1. Gomeral pelo Campeonato Paulista;
  2. Mega Energy no Saracura.

Na 1ª Etapa do Paulista em Gomeral/SP 2009 tivemos:

  • Equipe de Terra:
    • 01 enfermeiro coordenado;
    • 08 bombeiros civis;
    • 10 funcionários da Defesa Civil, trabalhando em conjunto.
  • Equipe de Apoio:
    • 03 ambulâncias;
    • 01 enfermeiro;
    • 03 técnicos de enfermagem.

Em um dos trechos críticos do Gomeral, existiam dois bombeiros e dois fiscais. Uns 5 metros antes desse drop uma curva para esquerda e pedras. 100 metros antes mais pedras e um fiscal e um socorrista atentos para fechar a pista em caso de acidentes. Funcionou muito bem, isso nos dava tempo suficiente para fechar a pista sem causar outro acidente.

Trecho crítico do Gomeral

Trecho crítico do Gomeral | Foto: Ximiti

Um detalhe importante é a roupa laranja usada que mesmo fora de foco chama muita atenção. Na perspectiva dos pilotos que passam centrados e em alta velocidade, as roupas tradicionais usadas pelos bombeiros (azul, marrom) não são percebidas, menos ainda em locais fechados de muita mata e árvores essa roupa tradicional e acabam se tornando uma camuflagem perfeita… É atropelamento na certa. Mais um detalhe é manter todos os bombeiros posicionados à direita dos pilotos onde o foco fisiológico é maior.

William de Almeida Jr (Paramédico), ficou num dos trechos mais críticos: o 1º tobogã gigante com uma curva para a esquerda no final na tangente desta curva um abismo, teve trabalho

William de Almeida Jr (Paramédico), ficou num dos trechos mais críticos: o 1º tobogã gigante com uma curva para a esquerda no final na tangente desta curva um abismo, teve trabalho

Espero que essas experiências sirvam para alguma coisa e que erros básicos não ocorram ou pior que não se tornem fatais

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8 respostas para Estratégias para socorrismo no DH

  1. Eneas disse em 20/07/2010

    Ótimo artigo Piru.

    Profissionalismo !

  2. GORDO disse em 20/07/2010

    grande piru glu glu

    parabens pela materia e trabalho

    somos fã de seu grande e dedicado trabalho nas corridas .

    só quem conheçe sabe da responsa.

    parabens e abç .

  3. parabens pela materia!! excelente!! mto boa mesmo! além da matéria, ficaram VARIAS dicas pros organizadores de eventos!
    valeuu

  4. 100%

    parabéns! representa na bike, no socorro e agora colunista!

    esse é o piru glu glu!

    parabéns!

  5. Muito boa a matéria, estas estatísticas são super interessantes: Por exemplo no Saraca em média 16% dos pilotos teviram algum acidente e quase 5% com fraturas. É muito perigoso! hehehe.

  6. caio disse em 21/07/2010

    esse Piru,,, é do glu glu,,, heim? …VLW PIRU !!!

  7. Muito boa a matéria…estátiscas sempre foram a base de argumentos concretos…parabéns

  8. Fala DR PIRU!
    “Contra fatos não há argumentos”…
    Muito legal estas estátiscasm mas é — é saber que sempre tem algum osso quebrado na parada… bom, DH é isso aí, certo?
    Valeu!!!!

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