Holy Trail
Publicado dia 16/02/2012 às 13:49 no canal Artigos, Campeonatos, Informações gerais, Notícias por guicorsini

Wallace miranda, segundo colocado na Elite 2012 | Foto: guiCorsini
O sucesso exige perseverança, comprometimento e geralmente leva tempo, pra não dizer devoção. Por isso não é à toa que o DHU de Santos é hoje um evento de alto nível com grande repercussão internacional. Todo santista é devoto da Nossa Senhora de Monte Serrat, padroeira de sua cidade. Todos os anos a imagem da Santa desce sua centenária capela do alto do monte. É neste palco de milagres do passado, que devotos do esporte respeitosamente também todos os anos tem a chance de descer os seus 417 degraus e 650 metros morro abaixo com suas modernas bicicletas.
Com seções extremamente técnicas, curvas fechadas, vôos alucinantes e trechos de alta que atingem 60 Km/h, é algo realmente radical para leigos, e para a imprensa não especializada parece beirar a insanidade. E por falar em leigos do esporte, é muito legal ver ao vivo a corrida da finalíssima com a elite do DH na TV, mas o verdadeiro campeonato envolvendo todas as modalidades acontece no sábado, e é aí que “o bicho pega” pra a grande maioria dos pilotos.
O DHU de Santos de 2003 foi o segundo evento oficial no Mundo de DH em ambiente urbano. Logo após o grande sucesso do Lisboa Down Town, na capital dos patrícios que teve sua primeira corrida em 2000.
Um evento urbano atrai muito público e a atenção da imprensa mundial e patrocinadores de peso. O que começou com apenas 24 intrépidos pilotos, superou neste último final de semana mais de 110 pilotos e uma multidão de seguidores e curiosos. Talvez nem o membro mais otimista e ambicioso da organização imaginaria o sucesso e importância desta prova no cenário do MTB mundial. Parabéns aos organizadores, e nada mais justo colher os frutos da determinação.

Anderson Luis Robl, terceiro colocado na Master A, 2011 | Foto: Adilson Martins
Em 10 anos de história há muita coisa pra contar. Se em Lisboa Steve Peat por oito vezes consecutivas foi imbatível e sentimos falta dele por aqui, em Santos foi diferente. Apenas Cedric Gracia, Wallace Miranda e agora Filip Polc repetiram o feito por duas vezes. No feminino a história ainda está sendo escrita por uma paulista ainda muito jovem, e muito, mas muito rápida: Luana Oliveira. Ela não quer mais largar a coroa e ganhou sua quarta corrida este ano.
O grande imbatível em santos em suas categorias é Francisco “Chicão” Innamorato, hoje com 46 anos tem sete canecos também consecutivos, levando mais uma vez este ano. Chicão é um exemplo de profissionalismo e amor ao esporte.
Em 2003, figuras como Robson “Urubu” e Markolf Berchtold eram os protagonistas. Markolf que além de acumular títulos, fez parte da Global RacingTeam, a maior equipe de Downhill do Mundo, ganhou a prova, neste ano não teve a competição feminina.
Em 2004 em plena forma o francês Cedric Gracia já dava o ar da graça por aqui, e também debutavam as meninas na competição. A piloto XRides Ingrid Câmara estava lá. Em 2005 Kbelinho foi o campeão, Patrícia Loureiro no feminino. No ano seguinte tivemos a histórica participação no feminino de Anne Caroline Chausson, que por 13 vezes usava a camiseta arco íris de campeã mundial. Djone Fornari ficou com a coroa em 2006 com Wallace em segundo.
No ano de 2007 ainda eram poucos estrangeiros. Cedric e Melissa Buhl sempre fiéis às escadas sagradas de Santos estavam lá. Fiéis até demais. Ganharam o masculino e o feminino em um dia de muita chuva. Desta vez uma dobradinha gringa. Já em 2008 a revanche verde e amarela. A garota prodígio Luana Oliveira já arregaçava suas mangas, e junto com Wallace Miranda levantaram os canecos. Wallace por sinal em ótima fase ganhou novamente no ano seguinte, com Patrícia Loureiro ganhando a competição Feminina, mais uma dobradinha brasileira em 2009.
2010 foi o ano que o australiano Mick “Sick” Hanna e o britânico Brendan Fairclough deram as caras por aqui, o eslovaco Filip Polc desbancou os favoritos e de quebra demoliu o recorde anterior e baixou o tempo da pista para menos de um minuto pela primeira vez ganhando a sua primeira prova em Santos. Luana em uma descida sólida sem erros ganhou novamente.

Thiago Boaretto Foto: guCorsini
Ano passado o equatoriano Mario Jarrin em uma superfinal com todos os favoritos andou muito, não caiu em uma prova cheia de acidentes e levou a melhor. Luana já com status de favorita não decepcionou, tricampeã.
Este ano, foi marcante e surpreendente. Tivemos a participação do chileno Adolfo Almarza um bi amputado com próteses nas pernas arrepiava na descida não ficando muito longe dos melhores tempos, representando a excelente equipe de chilenos como Vasquez e Leiva.
Cedric como sempre deu show, Markolf teve a guia de corrente quebrada. Djone era um concorrente forte ao título sofreu uma lesão. Wallace andou muito também, mas não foi páreo para o eslovaco.
Foi Filip Polc que entrou pra história da corrida, com a faca entre os dentes, fez diferente dos outros pilotos. Teve de arriscar, driblou um poste a lá Neymar e terminou abaixo de um minuto fazendo 58.207, recorde absoluto. “O nível dos pilotos locais está cada vez melhor, tive que arriscar, os jovens pilotos brasileiros são muito bons e em breve estarão em evidência no circuito mundial” disse o campeão.
Luana foi incrível, mostrou por que já era a maior vencedora em Santos, e sem dar chances pra ninguém fez seu melhor tempo e é a atual Tetracampeã. O céu é o limite para ela. É isso aí, ano que vem tem mais.

Jessica disse em 16/02/2012
Amei o texto, muito informativo. Adoro XRides :):):)
alan silva disse em 17/02/2012
Parabéns!
outro nivel este site, midia especializada e imparcialidade…
parabéns, sucesso e muita bike
Yuri Bogner disse em 17/02/2012
Ótima matéria, X-rides é cultura negô
Adilson Martins disse em 17/02/2012
@guicorsini mandou bem na matéria! congrats!
Eneas disse em 17/02/2012
Show de matéria. Parabéns.
Guilherme Araújo disse em 01/03/2012
Muito bom o texto parabens, curto muito esse site