Montanhas Race Enduro 2017, #1 – Dia 3

texto: ANDRE BORTOLETTO ⋅ fotografia: ADILSON MARTINS

Domingo de Páscoa, 16 de abril, a cidade de Bragança Paulista (SP) tem a honra de realizar o encerramento do primeiro trans enduro do Brasil. Depois de dois dias de competição, os pilotos carregavam toda uma história sobre uma empreitada épica. História que se desenvolveu de forma natural gerando uma energia positiva que foi sendo absorvida desde a sexta-feira, quando o Montanhas Race Enduro 2017 começou numa manhã de céu limpo em Morungaba (SP).

A base do evento foi estabelecida às margens da represa do Jaguari no bairro da Serrinha, mais precisamente no Galpão Busca Vida, onde uma grande festa promoveu a confraternização entre pilotos, organizadores e visitantes: show de musica, ambiente eclético good vibes. O Galpão Busca vida é uma casa noturna que ocupa uma construção rural onde realiza shows de estilos variados, serve petiscos e cachaças seletas. E de quebra, ainda apoia e patrocina o atleta Bruno Gayer “Chupim”.

A manhã de domingo ensolarada mostrou que a organização estava impecável. Era possível observar marcações das pistas, ambulância e equipe de socorristas logo na base do evento. O deslocamento inicial novamente aconteceu em grupo e conduziu os pilotos por meio de uma trilha sombreada. Já nos últimos metros, no topo do morro, muitos foram pegos de surpresa com um cenário surreal que mais parecia um obra de Salvador Dalí. Um fusca pendurado em uma árvore próxima ao início de duas especiais atraía a atenção de todos. Logo as lembranças da noite passada no Galpão Busca Vida vieram à tona.

As belas socorristas estavam posicionadas no início da primeira especial transmitindo informações pelo rádio para outros socorristas e bombeiros estrategicamente posicionados ao longo de toda a descida. De início veloz, a primeira especial exigiu atenção para não cometer erros nos inúmeros off cambers. Sendo a trilha mais curta de toda a competição, muitos optaram não arriscar uma vez que a diferença de tempos iria ser muito pequena.

Na categoria Pro, o piloto local Julio Giani fez 1 min 28 s, o tempo mais rápido na geral. O mineiro Leonardo Matiolli também fez o mesmo tempo. O carioca Knob ficou atrás deles por apenas 1 segundo. Na Master 1, Fernando Simioni fez o melhor tempo da categoria seguido pelo representante local Daniel Leme, que teria o objetivo de passar à frente do primeiro colocado Lucas Vieira, de São José dos Campos (SP).

Na Master 2, o dia começou bom para Luis Altenfelder que foi mais rápido que o mineiro Gustavo Amorim, fazendo o tempo de 1 min 32 s. Juliano Jeremias fez o terceiro melhor tempo com a marca de 1 min 37 s. A briga também foi acirrada na Master 3: o melhor tempo foi de Caio Salerno seguido por Andre Bortoletto e Juliano Florence. Na Sênior, Luciano KDra Lancellotti seguiu sozinho usando toda sua habilidade para negociar com os off cambers, uma especialidade do morador da Serra da Cantareira.

A segunda especial do dia, e décima da prova, foi considerada a mais técnica. No trecho inicial, compartilhado com a Especial 9 (E9), foi possível entender o motivo de tanto espectador ali: um pequeno rock garden sinalizava que a situação iria ficar complicada a medida que a inclinação aumentava. Bem inclinado e escorregadio, com algumas pedras afiadas, exigia comprometimento para contornar o switchback logo em seguida. Diante de qualquer erro, o atleta poderia ser lançado morro abaixo arruinando todos os 3 dias de esforços. A trilha não dava trégua através de um off camber interminável em um campo aberto que finalizava sob uma pequena mata com curvas de parede alucinantes.

Na categoria Pro, Matiolli levou a melhor, assim como Simioni na Master 1. Gustavo Amorim reagiu e fez uma bela descida e cravou o melhor tempo na Master 2. Juliano Florence já um pouco recuperado do mal estar do dia anterior, em Monte Alegre do Sul (SP), também reagiu e fez o melhor tempo com a marca de 1 min 44 s, na Master 3.

Na feminino, Anne-Kathrin Gutwein manteve constância em seus tempos. Ela seguiu firme ao longo das dez especiais realizadas. Faltavam apenas duas a serem cronometradas, sendo a última a mais exigente fisicamente. Foi preciso pedalar forte para cruzar todo o topo da montanha.

A E11, tinha como característica um começo de muitas curvas e depois o off camber mais difícil das doze etapas. Lá os acidentes eram inevitáveis. Julio Giani e Diego Knob deram um show de pilotagem com os tempos de 1 min 47 s e 1 min 48 s, respectivamente. Foi uma ótima oportunidade para Julio se aproximar de Matiolli. Na Master 1, Fernando Simioni mais uma vez fez o melhor tempo de sua categoria com a marca de 1 min 59 s. Na Master 2, Gustavo Amorim perde para Jeremias e Caio Salerno voltou a fazer o melhor tempo na Master 3.

O deslocamento para a última descida teve seu início pela estrada da Serrinha, passando pelas instalações do Galpão Busca Vida. Uma mistura de ansiedade, saudade e alívio enchiam as mentes dos pilotos que estavam prestes a finalizar uma jornada épica. Neste momento, o cenário surreal reapareceu. No meio da subida havia outro carro em meio ao nada. Ele repousava em um campo aberto acometendo às lembranças de Dalí. Ao seguir em frente, na largada para a E12, no alto de uma montanha jazia um barco de 15 pés deixando o cenário ainda mais peculiar.

Sendo a trilha mais extensa do dia, esta era a oportunidade que Julio Giani tinha para ganhar na Pro. Matiolli gerenciou sua vantagem e optou ser mais conservador. Diego Knob apostou todas suas fichas fazendo o melhor tempo na geral com a incrível marca de 2 min 15 s. Na Master 1, mais uma vez Simioni ficou na frente. Gustavo Amorim foi o melhor na Master 2, e na Master 3, Bortoletto.

A chegada foi um evento à parte. A medida que os atletas cruzavam a linha final, o público aumentava e os incentivava a evocar as forças remanescentes para aquele último gás. Foi uma sensação de missão cumprida. Assim, depois de doze especiais e 3.400 metros de altimetria acumulada, terminou o primeiro trans enduro do Brasil. O Montanhas Race Enduro marca o início do campeonato de 2017 colocando a modalidade em outro patamar.

Dos resultados finais

Na Pro, mesmo com a reação de Julio Giani durante as especiais, a vitória ficou com o mineiro Leonardo Matiolli. Porém o esforço de Julio não foi em vão, ele conquistou o segundo lugar. Guto Affonso, de Monte Verde (MG), ficou em terceiro.

Pro

1 Leonardo Matiolli MG 27 min 24 s
2 Julio Giani SP 27 min 53 s
3 Guto Affonso MG 29 min 10 s
4 Diego Knob RJ 29 min 16 s
5 Caio Gonçalves SP 31 min 16 s

Na Master 1, Lucas Vieira foi o primeiro colocado seguido pelo representante de Bragança Paulista, Daniel Leme. Rafael Marquez alcançou com garra a terceira colocação, foi um dia sofrido para ele que competiu com um dedo quebrado e parte do músculo da coxa lacerado em um acidente logo na primeira especial.

Na Master 2, o mineiro Gustavo Amorim ficou apenas a 8 segundos de Luis Altenfelder. Caio Salerno venceu a Master 3, seguido por Juliano Florence e André Bortoletto. Na Sênior, Luciano Lancellotti (KDra) ocupou o lugar mais alto do pódio. E finalmente, mas não menos importante, Anne-Kathrin Gutwein completou as doze especiais com o tempo de 48 min 15 s.

A premiação ocorreu no Galpão Busca Vida com um show de música heavy metal com a banda I am the sun, servidos de cerveja gelada, lanches e uma boa cachaça. A próxima etapa acontece no dia 11 de junho e local ainda a ser divulgado.

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