XTerra Brazil 2017 – MTB Enduro: Etapa de Ilhabela

texto: ANDRE BORTOLETTO · fotografia: ADILSON MARTINS

Conhecida como a capital da vela, a Cidade de Ilhabela (SP) foi palco da primeira etapa do XTerra deste ano. Mais de cinquenta atletas participaram do campeonato sob coordenação técnica de Thiago Velardi, fundador e idealizador do Montanhas Race Enduro. Com seu know-how, a geografia local do litoral norte do Estado de São Paulo, de paisagens grandiosas, foi aproveitada e resultou em uma programação com cinco segmentos cronometrados distribuídos em dois dias.

No primeiro dia, o deslocamento a partir da base do evento na praia do Perequê, revelou que a inclinação das pistas não seria nada fácil. Muito hike-a-bike até chegar no topo do Morro da Cruz onde a vista do canal de São Sebastião (SP) e do continente era de tirar o fôlego. Foi dali até quase o nível do mar que os atletas treinaram para a tomada de tempo.

Mais uma vez, após o treino, a subida exigiu o mesmo esforço. Só que dessa vez com o sol forte de quase meio dia. Sem muita cerimônia, os pilotos se abrigaram sob a sombra do deck do mirante, cada um esperando sua vez para acelerar nas inúmeras curvas em off camber onde qualquer erro poderia custar muitos segundos.

Nossa, foi muita cansativa a primeira especial. Não tinha noção que um lugar tão paradisíaco podia trazer tanto sofrimento.
– Lucas Henrique Vieira

Seguindo em direção ao sul da ilha, mais uma vez ela presenteou os inscritos com seu relevo inclinado. O deslocamento para a Especial 2 (E2), embora muito mais pedalável, foi da mesma magnitude em termos de exigência física experimentada na subida anterior. Para alguns como Pedro Albuquerque, vice-campeão Amador, foi assim:

Na minha opinião esse foi o deslocamento mais difícil. Aquele topo lá, do Camarão, subindo com sol morro acima por uma hora… foi muito difícil, foi desesperador. A sorte é que tinha um encanamento de água vazando e deu para passar na cabeça. Deu uma sobrevida pra galera continuar subindo.
– Pedro Albuquerque

O Pico do Urubu era o ponto de partida para o segundo trecho cronometrado. Dessa vez, a pista iria ser feita sem treino ou seja, no estilo blind (sem prévio reconhecimento do trajeto). Assim, outras habilidades são colocadas em jogo, por exemplo, na tomada de decisão e intuição sobre um terreno desconhecido. Com a largada fazendo vista para o canal de São Sebastião, mais uma vez a paisagem compensou tanto suor. Composta por trechos de alta velocidade no início seguido por um setor técnico com valetas e pequenos switchbacks, Beatriz Ferragi, com um pouco de má sorte, protagonizou uma queda em alta velocidade que a tirou da competição. Foi socorrida com uma lesão no ombro que impossibilitava qualquer movimento, mas passa bem.

Já era 13h e o sol ainda fervia na potência máxima. O descolamento para a E3, último trecho do dia, era duro, muito duro. Campo aberto e muita inclinação davam a impressão de que a largada se aproximava, o que não se concretizava. Muitas vezes era apenas mais uma cumieira. Não tinha muita conversa, via-se apenas uma fila de pessoas subindo em zigue-zague montanha acima. O calor era tanto que apenas uma parte resolveu treinar a pista. Subir novamente poderia consumir a energia necessária para a descida. Rápida e com saltos, a pista foi um espetáculo à parte. Foi a pista favorita de Luciano KDra Lancelotti, campeão da Sênior que, ao contrário de muitos atletas, decidiu treiná-la antes da cronometragem final. Ao final do dia, os pilotos puderam conferir os resultados no telão da cronometragem na base do evento e planejar a estratégia para o dia seguinte.

Foi para o domingo que a especial mais difícil estava reservada em uma manhã nublada e chuvas esporádicas. A E4 tinha início em uma área de enormes boulders, era a trilha mais curta de todas. Ninguém quis se arriscar tanto para ganhar tão pouco. Por fim, chegou a hora de subir em direção para a descida mais difícil: a trilha do Bananal. O deslocamento em sua direção mais parecia uma escalada, tinha momentos em que alguns atletas usavam as próprias bikes como ferramenta de ascensão.

Isso aqui parece uma panela de pressão. Está ventando ai em cima? Aqui está um inferno. Tá muito calor…
– Anônimo (com uma aparência já não muito agradável…)

Famosa pista de downhill, a trilha do Bananal já tinha o respeito dos atletas antes mesmo deles as conhecer. Já no treino todos tiveram a noção exata de onde seria o lugar que poderia definir a prova:

É uma pista grande e muito técnica. Pode ser perigosa se perder a noção. Tem dois obstáculos, uma rampa logo no começo e um pulo de duas raízes. Se cair vai ficar feio.
– Matheus Gonçalvez (enquanto vestia as luvas para largar)

Realmente a pista era diferente das outras. Tinha uma equipe numerosa de bombeiros socorristas. Era fácil saber onde estavam os trechos mais interessantes. Tudo bem sinalizado. A sombra da Mata Atlântica fazia do terreno escorregadio e úmido. Raízes e pedras do começo ao fim. Foi com a sensação de tudo ou nada que a maioria acelerou montanha abaixo em busca de resultados.

E os resultados vieram

Luciano KDra Lancellotti vence na categoria Sênior. Patricia Loureiro na Feminino. O representante de Ilhabela, Allan Barbosa, leva na Amador e Caio Mourão na Junior.

Na Master A, Fernando Simioni confirma seu favoritismo. Thiago Burgers consegue a vitória na Master B, e Juliano Florence sai a frente dos veteranos na Master C. Por fim, o mineiro Leonardo Mattioli foi o piloto mais rápido e ganhou na categoria profissional.

Mattioli segue com uma excelente campanha em 2017 vencendo o primeiro trans enduro do Brasil que valeu como a primeira etapa do Montanhas Race Enduro e também o Super Enduro em Nova Lima (MG).

Profissional
1 Leonardo Mattioli 00:11:56.510
2 Julio Giani 00:12:05.740 + 0:09.230
3 Frederico da C. Vieira 00:12:37.880 + 0:41.370
4 Thiago Boaretto 00:12:44.120 + 0:47.610
5 Yuri Bogner 00:13:09.850 + 1:13.340
6 Guto Affonso 00:13:17.150 + 1:20.640
7 Bruno Gayer 00:13:26.370 + 1:29.860
8 Caio Rufino 00:14:08.470 + 2:11.960
9 Henrique Becker 00:08:04.080 + 3:52.430

Para os resultados completos acesse: Resultados XTerra Brazil 2017.

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