Cinco dias de rolê no Sul da Califórnia

Durante o planejamento desta viagem, minhas prioridades foram basicamente montar a bike, pedalar e fazer a manutenção das trails com o Duka (Eduardo Arruda). Uma pessoa incrível que tive o prazer de conhecer e ao lado dele passar boa parte da minha adolescência marcada de inúmeros momentos de bike.

Depois de alguns dias finalizando a montagem da bicicleta, finalmente chegou o dia de subir nela e ser livre. O primeiro rolê na minha Nukeproof Mega 275, estava até sonhando com esse dia.

Primeiro dia: Santa Monica mountains

Quando eu estava esperando o Duka em Los Angeles (US-CA), percebi que era uma das maiores inspirações estar compartilhando mais uma viagem ao lado deste entusiasta da bike. Pousamos no Ride Access com nosso parceiro Marcio. Nossa melhor escolha para andar e testar a bike foi nas montanhas de Santa Monica no Sul da Califórnia, ao lado de Los Angeles, em um trail chamado Sulivan.

O terreno estava bem seco e o sol quente veio junto mostrando que o verão estava à caminho. Mas, nada que tirasse a empolgação de terminar logo a subida e começar a descer. Lá de cima a vista é maravilhosa! De um lado se vê as montanhas e do outro as praias de Santa Monica e Venice (Los Angeles). O Marcio também é um dos colaboradores do trail. A pista recebe bastante trabalho da galera local para manter o flow. No dig no ride!

Mais uma vez eu percebi o quanto é bom andar com os amigos, porque vemos o quanto um incentiva o outro e mais linhas encontramos. Além disso, a diversão e alegria do rolê é sempre muito melhor quando compartilhada. No final do dia estávamos todos realizados.

Apenas alguns ajustes na bike foram necessários para tudo sair perfeitamente incrível. Não tenho como deixar de agradecer a Nukeproof Bikes, uma empresa conceituada que eu respeito muito. Realmente aprecio o ângulo dessas bikes, além do design, que para melhorar, a edição de 2017 tem minha cor favorita.

Segundo dia: Danny’s pumptrack

Neste dia acordamos cedo e fomos à casa do Danny, mais um praticante e entusiasta do ciclismo o qual criamos um vínculo de família. O Eduardo arruda construiu um pumptrack no quintal da casa da família deles durante o ano passado. E lá estávamos nós para checar e fazer a manutenção necessária que a pista necessitava.

Antes de chegarmos, ainda no caminho até Santa Clarita, ainda no sul da Califórnia, encontramos um dirt jump em Orange Grove, um pico insano e muito flow. É um dos lugares que me traz muita inspiração para criar e construir algo em Florianópolis (SC-BR). O dirt foi algo que me ajudou muito a ter base com a bike.

Ultimamente estou afastada das corridas e focada no fomento do esporte, na área de construção de trails, e em paralelo, estou fundando uma escola de bike a qual desejo dividir tudo que aprendi em meus onze anos de bike. Poder colaborar na manutenção de um trail como este é um sonho se realizando, pois muita técnica de construção de pistas se aprende na prática.

Naquele primeiro dia clássico de verão, o calor estava além da conta e o clima extremamente seco, me senti em um deserto. Revisamos algumas curvas e transformamos um triplo em um duplo, deixando a pista ainda mais flow. Foi bem trabalhoso devido ao tipo de terra, mas nada que muito amor e suor não pudessem resolver. Finalizamos a manutenção pela tarde e já na manhã seguinte antes de ir embora ainda rendeu um rolê. O aprendizado do dia foi: “A vida é como uma pista: ambas se resumem em solucionar problemas. Você escolhe o lado positivo ou negativo do seu caminho”.

Terceiro dia: Ojai

Chegamos em Ojai, no sul da Califórnia, em um segundo trail que o Duka construiu ano passado na casa do Trent, um rider que fizemos amizade durante o acampamento no Sea Otter de 2016. Uma pista bastante flow e uma inclinação forte que deixa o rolê ainda melhor. Desta vez o clima estava muito mais agradável, com mais sombras e o sol mais ameno. Nosso trabalho de manutenção da trilha rendeu bem. Foram mais ou menos cinco horas para acertar tudo e ainda sobrou energia para andar.

Foi lindo ver a galera se divertindo e se superando no último salto, o mais difícil. A melhor parte do dia foi presenciar todos com um sorriso no rosto descendo a pista pronta. É incrível retomar o contato com eles dessa forma, o pouco convívio que tivemos valeu muito para mim. Além de tudo, para a minha sorte, a filha deles é vegana e até aprendi uma receita nova de Vegan Tzatziki. No final do dia tivemos momentos únicos de relaxamento e conversas sobre a vida.

Quarto dia: Telonix

Este dia foi dia de downhill e claro que escolhi um dos meus lugares favoritos: Laguna Beach. Observamos as pessoas programando seus finais de semana com previsão de chuva. Acordamos com o tempo fechado e muito frio. Após alguns momentos de dúvida, decidimos sair com a esperança de “quem sabe nem chova”.

Esse trail é muito flow e eu estava na empolgação para andar com o Duka e o Danny, iniciantes nessa modalidade. Seria improvável não gostarem e a cada descida mais linhas encontrávamos, mais fluidez desenvolvíamos. No final do rolê andamos com o Antony, meu aluno de aulas de downhill de quando ainda morava em Los Angeles e que hoje também se tornou um grande amigo.

O sol começou a aparecer. Empolgamo-nos e continuamos pedalando por diversos trechos da pista. No meio de uma delas, encontramos quatro caras descendo sem equipamento de proteção nenhum e me pareceu que não tinham muita experiência no downhill. Conversamos um pouco e, mesmo assim, escolheram descer a mesma linha que estávamos. Um deles me perguntou sobre dicas para descer e me senti muito feliz em poder ajudá-lo. Contei sobre todos os princípios básicos que eu sabia e ofereci meu capacete, ele recusou. Apesar de ele ter transposto o trecho de forma aceitável, soltou muito o freio na parte mais inclinada e se descontrolou.

Eles me fizeram lembrar como foi quando comecei a andar, sem equipamento e sem experiência nenhuma. Quantos tombos não rolaram? Apesar de todas as dificuldades, eu continuei e hoje sei o orgulho que tenho em lembrar a minha origem e agradecer por tudo que a bike me proporcionou. Quem diria que aquela brincadeira de rua mudaria minha vida? Todos tem um começo e não importa como seja. O ”começar” é a magia de qualquer história.

Quinto dia: Nitrous Circus training center

Já havia tempos que me planejava para assistir os brasileiros Fred e Diego, que estão treinando motocross freestyle no centro de treinamento do Nitro Circus em Perris, uma cidade ao sul de Riverside. Felizmente deu tudo certo, e um sonho meu foi realizado ao ver essa modalidade de perto e os “brazucas” representando.

Logo que cheguei, vi o rolê da Vicki Golden mandando várias manobras na base e representando o feminino. Isso para mim é motivador. Depois, fomos até a megarampa e encontramos alguns atletas de bmx e patinete detonando nas manobras. Aquelas rampas são gigantescas.

Neste dia o Duka saltou a megarampa pela primeira vez! Eu disse que iria logo em seguida – aham -. Confesso que havia um forte vento contra, e eu não gosto nenhum pouco de saltar nessas condições. Enfim, vibrei pelo hermano e fiquei na função de captar alguns takes pra mostrar um pouco da adrenalina.

O segundo rolê do dia foi no pumptrack da Oakley, um dos mais incríveis que já andei. Além do pump, tem uma sessão de saltos muito divertida. Também pude aproveitar para fazer uma visita para o Blick, marketing manager de ciclismo da Oakley. Tivemos o privilégio de visitar toda a empresa e conhecer o museu da Oakley, onde tem todas as referências desde quando começaram. A história dessa empresa é muito motivante, nos conta que o primeiro foco da empresa foi produzir manoplas. Acredita que o nome da empresa foi inspirado pelo cachorro de estimação ”Oakley”? É empolgante uma história assim, perceber que tudo se transforma quando é trabalhado com amor, né?