XTerra Estrada Real – Enduro em Tiradentes

texto: ANDRE BORTOLETTO · fotografia: CESAR DELONG, RODOLFO OLIARI, MAGNUS TORQUATO

Depois de Ilhabela (SP), foi a vez de Tiradentes (MG) sediar a segunda etapa de mountain bike enduro do XTerra Tour 2017. O evento aconteceu nos dias 30 de setembro e 1 de outubro atraindo pilotos de outros estados. A coordenação técnica de Thiago Velardi garantiu uma competição desafiadora levando os pilotos para o alto da Serra de São José. Mais uma vez as pistas tinham como característica a dificuldade técnica e demandavam muito preparo físico.

Tiradentes teve um contexto mais físico. As 3 pistas reservadas para o sábado eram relativamente fáceis no seco porém elas ficaram muito mais difíceis em função da chuva e lama. Estava muito escorregadio. No domingo, a trilha do Carteiro foi algo brutal, 14 minutos de pancadaria descendo a Serra de São José.
– Raphael Ometto, campeão da categoria master

Julio Giani (Bragança Paulista, SP), segundo lugar na categoria elite também coloca sua opinião:

Bom, as especiais do primeiro dia já eram de um nível técnico e físico bem alto, o suficiente para levar todos os pilotos em seu auge. Com a chuva, a competição subiu para um outro patamar, só quem andou andou em muita lama pode entender… para acelerar ao máximo e ainda ter que ficar em cima da bike a dificuldade era insana.

Pois é, depois de um grande período de estiagem, as primeiras horas do sábado vieram com a tão bem vinda chuva e ela não foi pouca. Foi o dia todo debaixo de um chuvisco intenso e no alto da montanha, o frio e o vento fizeram sua parte.

O primeiro deslocamento seguiu em direção contrária ao restante das especiais. Um acesso pelo lado esquerdo do grande paredão da Serra de São José  levava para uma trilha relativamente curta porém a chuva e a lama deixaram as canaletas extremamente técnicas. Uma argila vermelha e muito escorregadia predominava ao longo de todo o percurso.

Ainda no sábado, o deslocamento para segunda especial revelou o que estaria por vir. A competição seguiria para a parte alta da Serra de São José. Conhecida como a Trilha do Carteiro, a rota passava pelo calçamento dos escravos. A chuva ainda persistia.

Partindo para segunda especial, embaixo de muita chuva, subimos o calçamento dos escravos e olhar aquelas pedras escorrendo água já ‘tava’ assustando todo mundo. Além das curvas na grama que compunham mais da metade da especial, todas em off-camber com muito barro.
– Julio Giani

Mais uma vez os pilotos foram colocados à prova. Desta vez com muito mais velocidade. O clima era sombrio e o dia mostrava estar acabando. Foi quando houve a decisão de realizar a terceira e última especial do dia no estilo blind. Diferente das outras trilhas, esta era na sua maioria dentro da mata. Muito, mas muito pedal compunha a segunda metade. Mais uma vez terreno muito escorregadio fizeram desta investida um desafio por si só.

Ao termino do dia via-se os competidores avaliando seus tempos na tela da base do evento. As estratégias estavam sendo reavaliadas, pois todos sabiam que o domingo tinha apenas uma especial, a mais longa, a mais física e a mais técnica. Era tudo ou nada.  Qual era a melhor estratégia? Acelerar ou ser mais conservador para não cair?

Domingo foi o dia de uma das especiais mais legais. Pegou o atleta de uma forma diferente. Não pegou se o cara era bom só de downhill, pegou o cara mais completo e também habilidoso em carregar sua bicicleta em lugares diferentes. O início foi bem técnico mas com cara de um cross-country com várias retomadas e muito físico. Foi uma especial bem completa e diferente do que a gente encontra. Eu acho que deixou bem o espírito do enduro que é o mountain bike real, que sai do topo de uma serra e vai ate a base dela. Acho que o tempo de 14 minutos mostra muito mais se a pessoa está bem completa deixando a prova com uma cara mais diferenciada.
– Fernando Simioni, categoria Master A

O dia do domingo presenteou os endureiros com tempo bom. Do dia anterior restaram apenas as lembranças que mais pareciam um pesadelo. O Sol apareceu e rapidamente um grande bloco de endureiros cruzou a cidade de Tiradentes sob o olhar do público e seguiu rumo ao alto da serra. O visual era impressionante!

Já na largada era possível acompanhar visualmente cada competidor pela vastidão de uma crista afiada. As vezes era possível ver até três competidores seguindo rumo a uma garganta de pedra. Garganta de pedra? É isso ai, esse era um dos três trechos onde o competidor tinha que “desescalar” uma encosta de quinze metros com a bike nas costas.

Ai meu Deus, a E4 foi interminável, muito longa. Cabulosa!
– Juliano Bike Joe, atual líder Master C, tentando recuperar o fôlego

Uma vez cruzada a foto célula, o sentimento não era só de dever cumprido, era também de ter sobrevivido na Rota Imperial depois de tantas dificuldades.

A categoria feminino foi muito bem representada e todas as participantes concluíram com louvor esta empreitada épica. Patricia Loureiro levou a melhor, Lucy Satsuki em segundo e Suelen Couto em terceiro.

Foto: Magnus Torquato

Foto: Magnus Torquato

Foto: Magnus Torquato

Foto: Magnus Torquato

Na Pró Leonardo Matiolli conquistou a primeira posição seguido por Julio Giani, atrás por apenas nove segundos. Tiago Farinelle ficou em terceiro lugar. Bernardo Goldstein e Lucca Furtado completaram o pódio com o quarto e quinto lugar respectivamente.

A terceira e última etapa do campeonato esta programada para acontecer em Paraty (RJ) nos dias 2 e 3 de dezembro. Em quase todas as categorias a briga pelo pódio esta muito apertada e equilibrada. É esperada uma participação recorde no enduro nacional e muitas surpresas estão reservadas para fechar o enduro 2017 com muita emoção e adrenalina.

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